alquimia

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sim, ali estava ela.
Aquele túnel escuro e fétido guardava uma menina,
quem poderia imaginar?
Tão sozinha, há tanto tempo perdida em seu mundo.
Perdida em seu próprio coração..
Coração? O que significa isso? Será que ela sabia?

Estava encolhida como uma bola.
Talvez esperasse que alguém a pegasse pelo braço.
Alguém? Ninguém!
Levantou-se como não fazia há muito.
Passos que findaram no corredor.
Corredor da morte.

Um desejo repentino de dizer o que se sente.
Assim, tudo em preto e branco. Embora ela preferisse o azul.
Mas algo lhe dizia que ainda não era a hora.
E uma mão no calendário a fez lembrar que mais de um ano havia
se passado. Passado! E tudo lhe era tão presente.

Quis sentir o vento outra vez.
Aquele mesmo que brincava com seus cabelos nas tardes de verão.
Aquele mesmo que se ausentou no inverno e a fez chorar.
Aquele mesmo que ela desejou outra vez. E não existiu.

Uma imagem no espelho e nenhum passo foi dado. Nada mais.
Um reflexo certeiro de uma velha de 80 anos. Quem seria aquela?
Talvez fosse ela. "NÃO!" Um grito que ecoou nas paredes imundas.
Paredes sujas pintadas delicadamente de uma tinta chamada tristeza.
Sim! Triste verdade apareceu em forma de vidro espelhado.
Quanto tempo REALMENTE se passou?
O que será dela quando perceber que nada mais restou?

Eu queria fazer companhia, ou ao menos lhe dar uma rosa.
Dizer que tudo vai ficar. Mas não sei se posso.
"Uma última mentira por um final feliz" — falou o mago.
E as palavras saíram da minha boca como uma enxurrada!
Algo me confortou: é uma boa causa.
Avistei um sorriso que venceu a tristeza na face da senhora de 80 anos.
"Uma última mentira por um final feliz" — repeti para não esquecer,
feito o Pequeno Príncipe.
E realmente não esqueci! A senhora de 80 anos e seu reflexo no espelho.

Peguei-lhe a mão e a aconcheguei em meu ombro.
Cantei uma canção que a fez dormir.
Acho que ela sonhava. E sorria.
Um último sorriso.
Um feliz para sempre em seu imaginário

falso retrato

“Ele estava perdido.. FIM” – ela disse. Deu-lhe uma beijo de boa noite. Desligou a luz. Saiu do quarto. Deixando-o em profunda reflexão: _ como uma história pode acabar sem final? Depois de muito pensar, adormeceu. E sonhou. E esqueceu. O que ninguém sabia era que aquele do retrato ajudou a resgatar aquele do quarto. E ele não se perdeu

meio gris

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

..e no meio de tanta gente eu encontrei você (8'

Nuvens cinzas. Um lugar meio deserto com poucas pessoas. Um parque abandonado que ganha vida a cada pirueta do vento. Nada de crianças. Gritos. Dor de cabeça. Tic tac, tic tac. Tédio. Hoje nada de ruim me faz mal. O mundo pode estar acabando e eu continuarei sorrindo. A garota mais boba, mais feliz.. O plano mudou. Chega de problemas, mesmo que eles existam. Cansei de depressão. Não quero mais chorar por bobeiras. Não quero mais me prender em sentimentos ruins. Não quero mais escutar você dizer que sou criança. Não quero mais ser a pessoa de antes. Hoje sou mais mulher, hoje me despeço da garota que tinha medo de arriscar, medo de perder. Hoje sou mais decidida, e decido pelas coisas que me fazem bem e feliz. Decido por você e por mais ninguém!

se

domingo, 29 de novembro de 2009

conj condic sonho feito de inúmeras
possibilidades que não existem — ainda